Que devo fazer para ser criativo?

Fonte.: rh.com.br

No primeiro milênio a carta de um rei foi interceptada por um súdito, que devido ao seu conteúdo, deu início a uma chantagem, cobrando pelo seu silêncio e estipulando um preço para sua devolução. O rei pagou aos melhores investigadores da época para que conseguissem reaver sua carta. Tais investigadores fizeram de tudo, destruíram móveis, cavaram buracos, tudo isto sendo infrutífero.
A curiosidade do rei foi maior do que a raiva por tamanha ousadia, o que o levou a chamar esta pessoa que o chantageava, fazendo-lhe a seguinte proposta: “Não me interessa mais teu silêncio, pago-te o dobro do que pedes, não para reaver a carta, mas para que me contes onde escondeste!” O súdito aceitou a proposta pegou o dinheiro e levou o rei e toda sua corte até seu escritório; em cima da escrivaninha, entre os papéis amassados estava a tal carta.

Este conto retrata o quanto as respostas estão no óbvio, na simplicidade e dentro dos próprios problemas. Não existe nada que nasça sem uma resposta. Utilizemos a palavra CRISE, tão famosa nos dias de hoje, onde podemos encontrar solução para ela? Uma palavra tão curta, simples e complicada ao mesmo tempo. Ao observarmos a palavra teremos, pelo menos, uma alternativa para sua resolução: ao tirarmos a letra “S” temos a palavra CRIE. Criatividade é o que também está em moda e até ouvimos: “temos que ser criativos”. Nós não temos, Nós Somos, todos nós já nascemos equipados para isto. O período mais criativo e rico de nossas vidas encontra-se quando temos entre quatro e cinco anos de idade. É a idade em que estamos curiosos, que fuçamos, que perguntamos, que mexemos, procurando fazer algo diferente.

Qual a criança que já não desmontou seu brinquedo para tentar conhecê-lo e modificá-lo? Através do lúdico, da liberdade de ação e do livre pensar, a criança cresce, aprende e amadurece. Com a idade ficamos com medo de sermos audaciosos, com medo das críticas e acabamos nos transformando em uma grande massa, “patinando” em conceitos antigos alterando apenas o design e não gerando novos conceitos. Criatividade é utilizar-se da espontaneidade e da visão holística, e dar vazão às “loucuras” de idéias que lapidadas podem tornar-se grandes cúmplices e aliadas do nosso desenvolvimento.

Existem alguns passos que podem contribuir e muito neste caminho:

- Colocar as questões em uma posição que nos permita uma visualização global. O nosso campo de percepção tem uma distância necessária para evitar distorções. Muito longe, fica faltando conhecimento, muito próximo (tatuado em nós), fica apenas uma visão parcial. Um bom exercício para exemplificar isto: Pegue um lápis, coloque próximo à testa, se você não soubesse que é um lápis, saberia identificá-lo? Afaste uns três ou quatro centímetros. Você vai vê-lo de forma parcial. Peça para alguém colocá-lo bem longe de sua vista, você consegue identificar detalhes deste objeto? Aproxime até que consiga enxergá-lo bem, agora movimente o lápis para poder ter acesso ao objeto em todas suas dimensões. Ou seja, quando as coisas estiverem muito tensas, com muita dificuldade, pare, saia da situação por alguns momentos; tendo o cuidado de não sair por muito tempo para a distância não ficar muito longa e dificultar o seu acesso.

- No momento de criação esqueça as críticas, elas vão aparecer no momento do desenvolvimento do projeto.

- Divida a situação com outras pessoas. Cada um vai possuir um campo de visão diferente, enriquecendo, algo que talvez sem esta contribuição fosse inútil.

- Utilize o exemplo da criança, através do lúdico, podemos aprender muito. Não diga “não sou mais uma criança”. Nós somos um kit completo, com bagagem para sermos aquilo que queremos.

- Explore suas idéias, não necessariamente nos locais de trabalho. Existe uma peça teatral de grande sucesso que foi gerada, no momento em que o escritor estava lendo os classificados de uma revista.

- Liberte-se da mesmice em suas horas de lazer. Temos a tendência de freqüentarmos lugares da moda ou de voltarmos para lugares de que já gostamos de estar.

- Pergunte-se: “Estou olhando ou enxergando o que está a minha volta?

- Movimente-se. Isto proporciona um ângulo diferente das coisas. Quando observo a minha rua de uma janela é diferente do que vejo quando estou caminhando nela!

- Utilize conceitos antigos como alicerce não como uma prisão.

- Seja ousado, arrisque ser diferente.

- Tenha audácia.

- Experimente vivenciar os desafios com bom humor.

- Curta suas vitórias, mas se lembre que neste momento elas já fazem parte do passado. O “aqui/ agora” é que estão mais próximos do futuro.

“Sempre foi feito assim”. Esta frase é muito ouvida nos meios profissionais ou “em time que está ganhando não se mexe”, isto é o que eu chamo de verdadeiros calabouços dos nossos sonhos produtivos e idéias progressivas. Calabouço porque se fica deteriorando em algum lugar e como nada é estanque. O “velho modo”, de se fazer alguma coisa pode parecer o “único modo”. Podemos ficar cegos a novas idéias e soluções. Seja qual for o ramo de atividade, entender isto é absolutamente vital para o futuro de uma profissão.

Para concluir acho interessante o jogo dos antônimos para utilizarmos como reflexão:

O antônimo de mulher é homem; de forte, fraco; de claro, escuro; de preto, branco.

Agora responda: Qual antônimo de verde?

Se você não ficou direcionado/aprisionado ao conceito cor da palavra conseguiu responder que o antônimo de verde é maduro.

Oleni de Oliveira Lobo
É psicóloga com especialização em Psicodrama Terapêutico, pós-graduada em Gestão da Qualidade, consultora em RH e professora.

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